Durante anos – ou melhor, séculos – os governos que se sucederam tiveram pouca disposição para minorar os efeitos da convivência do nordestino com os períodos de longas estiagens. A mais arrojada ação, com
Enquanto a transposição não ocorre em sua plenitude, o sertanejo continua sofrendo. Não precisa andar muito para encontrar as imagens que retratam bem a realidade atual. Basta ir aonde a seca está para perceber que a ela é real, e as vítimas, idem.
As carcaças de animais mortos evidenciam histórias de quem perdeu o que tinha, por conta da seca. Centenas de agricultores e pequenos produtores
Não há verde na paisagem estéril do semi-árido. E, sem verde, também desaparece o seu significado: a esperança do nordestino. O mato, que nesta região, na primeira chuva torna-se um lindo verde nas serras e nas terras, não muda de cor há meses. Os gravetos e o cinza mensuram o tempo de seca e os efeitos que ela trouxe.
Pobre nordestino. Continuam a sua angústia e a sua dependência do poder. Dependência que tem se aprimorado nos últimos anos. Os saques a armazéns, mercearias e feiras livres de antigamente foram substituídos pelas Bolsas do Governo Federal. Um avanço, é verdade. Mas não a solução.
Se antes a Bolsa vinha como paliativo, ou “o peixe, enquanto ensinamos a pescar”, este ensinamento tá demorando demais. Se continuar assim, nunca o peixe será pescado. Será sempre a esmola que o sertanejo recebe com alegria, agradece por gratidão, mas não entende o real objetivo de sua vinda.
Carlos Magno
Nenhum comentário:
Postar um comentário