Para Temer, candidatura de Eduardo Campos não tira favoritismo de Dilma nem no NE
“O Nordeste, nesses últimos anos cresceu economicamente 42%”, Temer enfatizou
Temer concedeu uma entrevista ao blog nesta quinta-feira (21). Disse que a antecipação do calendário eleitoral “não é útil nem para o governo nem para o país”. Curiosamente, responsabiliza “os outros candidatos” pelo fenômeno. Referia-se a Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB).
Convidado a analisar os reflexos da entrada de Eduardo Campos na disputa, o vice-presidente soou como se desejasse circunscrever o potencial do futuro antagonista. “Ele vai tirar muitos votos em Pernambuco”, avaliou. Porém, graças ao “trabalho” de Lula e Dilma, “Pernambuco ainda dará muitos votos à presidenta”, reavaliou, antes de concluir que não antevê “dificuldade” naquele pedaço do mapa brasileiro.
“O Nordeste, nesses últimos anos cresceu economicamente 42%”, Temer enfatizou. “Isso será reconhecido durante as eleições, com a presidente Dilma candidata.” O vice-presidente ancorou o otimismo no Ibope de Dilma –“Não é fácil atingir 79% de aprovação nacional”— e na “economia do cotidiano”.
O crescimento miúdo e a inflação graúda não podem conspurcar o cenário? “Nós entramos o ano com preocupações, é verdade. Mas já com uma perspectiva de um PIB maior para 2013.” O essencial, diz Temer, é observar que “a crise internacional não chegou a criar desemprego no Brasil”.
Sobre os ajustes no ministério, Temer tentou dissociá-los da formação dos palanques. Disse que o objetivo do governo não é a revitalizar a aliança eleitoral, mas influir na “participação dos partidos lá no painel de votação da Câmara e do Senado”. Enfatizou: “O foco não é 2014, é a votação no painel.”
Comentou as recentes declarações de Jorge Gerdau. Para recordar: em entrevista a Fernando Rodrigues e Armando Pereira Filho, o empresário criticou o excesso de ministérios. Para ele, um gabinete com meia dúzia de pastas estaria de bom tamanho. Com 39 ministérios, a burrice “talvez já tenha chegado ao seu limite”.
E Temer: “Não vejo como reduzir 39 ministérios a seis, acho uma coisa complicada. E não conheço nenhum país que sobreviva politicamente e administrativamente com um número tão pequeno de ministérios.” Não exclui a hipótese de um futuro enxugamento. Condiciona-o, porém, à conjuntura e à realização de estudos.
Um pedaço da conversa foi dedicado à obra “Anônima Intimidade”, o livro de poesias que Temer lançou no mês passado. “Escrevi em guardanapos de papel no avião”, ele recordou. “Era o meu interior se exteriorizando”. Não espera virar autor de best seller. Mas saboreia o êxito dos 1.200 exemplares vendidos na noite de autógrafos. Degusta também a ausência de espinafrações. “Graças a Deus não houve uma crítica ácida em relação aos poemas.”
Temer revelou a intenção de levar novos livros à estante: “Sou calouro nas letras sentimentais, portanto, sujeito a críticas. Ma, se puder, continuo nessa senda. Sempre escrevi livros técnicos, na área de direito constitucional. E agora comecei a mudar.”
Septuagenário, Temer muda para a adolescência: “Era uma coisa que eu pensava aos 16 anos de idade. Eu achava que seria escritor. Depois, a vida me levou para outros lugares. Então, eu penso: puxa, escrever agora poesia e romance é retornar aos 16 anos. E nessa minha idade, convém retornar aos 16 anos.”
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