O moído é grande e o cidadão comum, no meio desse moído, fica feito cego em tiroteio, sem saber o que fazer ou em quem acreditar. Na Paraíba, quando se fala em moído está se falando em política, claro. O paraibano acorda, respira, come e dorme pensando e falando em política. No interior, então, nem se fala. Até em enterros, o cidadão só comparece se o defunto for correligionário. Senti isso na pele não faz um mês quando minha Tia Jovelina, no verdor dos seus 90 anos, morreu e não foi velada pelos seus antigos idolos, simplesmente porque os sobrinhos dela, responsáveis pelo seu transporte até o campo santo de Princesa, inventaram de divergir politicamente dos ditos cujos.
O moído da hora é o relacionamento entre o senador Cássio Cunha Lima e o governador Ricardo Coutinho. Quem está de fora e se informa pela imprensa, tem um trabalho danado para chegar à verdade. A imprensa simpática aos que fazem oposição ao Governo jura pela mãe do santo padre Adelino que há rompimento à vista por conta das demissões do concunhado e do primo do senador, até ontem ocupantes de cargos comissionados no Governo. A imprensa do lado governista
desconversa e jura que uma coisa não tem nada a ver com a outra, que o Marcos Tulio concunhado saiu porque o governador precisava botar um técnico de carreira na Cagepa, mesmo que esse técnico seja primo da prefeita Chica Motta, que por sua vez é do PMDB e ligada a Zé Maranhão (ufa!). Fica dificil, aliás, bota difícil nisso, chegar a uma verdade. Melhor dizendo, a verdade toda, pois a uma eu já cheguei: Cássio, sem querer querendo, botou um bocado de gente sua nos quadros do governo, o que é legítimo, porém digno de comentários porque disso a gente não sabia.
Voltando ao começo da conversa: O leitor acredita sinceramente que Cássio romperá com Ricardo por causa de dois empreguinhos bestas tomados de parentes distantes, aliás, um parente distante e o outro nem isso, pois na verdade é concunhado com ligações mais profundas com o vereador Bruno Farias, do qual é sogro, sendo Bruno o responsável por todos os planos de sabotagem à administração estadual ao lado de Nonato Bandeira?
Mas ao mesmo tempo há que se botar as barbas de molho e duvidar desse amor eterno, a partir do momento em que Cássio informa ser prioridade do tucanato paraibano a reeleição de Cicero Lucena. Ora, pergunta-me o leitor atento, por acaso o ex-governador estará errado ao defender um representante do seu partido? Não, respondo, de jeito nenhum, está mais do que certo, aliás, certíssimo. Mas ao mesmo tempo fico feito barata tonta porque o mesmo Cássio quer as duas vagas na chapa majoritária de Ricardo, para nelas colocar Ronaldinho como o vice e Ruy Carneiro como o candidato a senador. Se só tem uma vaga para senador, de qual lado ficará Cássio? Ou será que Ruy se sujeitaria a ser boi de piranha de Cicero, seu guru?
Aí vem o caso de Wilson Santiago. O homem rompeu com Zé Maranhão porque quer ser candidato a senador. Jantou com Ricardo Coutinho, saiu de lá sorrindo e maravilhado, muito embora nas entrevistas ninguém revele nada, diga coisa algum, informe algo que possa desanuviar a mente do eleitor. Está no PTB como general e avisa que é candidato. Ricardo não diz que sim, não diz que não, cala sem dizer que consente, como se estivesse a espiar tudo de longe, vendo o circo pegar fogo sem correr o risco de sair chamuscado. O que terá acontecido nesse jantar granjeiro, que cardápio comeram além das guloseimas de primeira qualidade? Continua o leitor no mato sem cachorro, mais por fora do que bunda de neném.
Para fechar o firo aparece Romulo Gouveia, atual vice-governador com aspirações de ser senador, mas sem ter o respaldo de Cássio, que indicou Ronaldinho e sendo ameaçado por um Santiago sonso e sorrateiro, aquele que dá o bote, esconde a unha e ainda assopra na ferida para não doer.
Fonte: Tião Lucena
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