Trocolli Júnior propõe sessão especial para discutir o crack e cobra mais ações de combate a droga
“Não é possível que as autoridades não tomem providências para combater o uso das drogas no nosso Estado''
A Paraíba tem, atualmente, 35 mil usuários de crack e o que mais preocupa é que 62% dos dependentes dessa droga são crianças e adolescentes com idade entre 10 e 18 anos. Significa que 21,7 mil jovens paraibanos já estiveram em contato com o crack, sendo que 8,7 mil usuários têm entre 10 e 14 anos de idade e outros 13 mil estão na faixa etária dos 14 aos 18 anos. Além disso, 80% dos crimes violentos ocorridos no estado é uma consequência do uso da droga. Os dados são do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid).
O índice assustador tem preocupado o deputado estadual Trocolli Júnior (PMDB) que há 11 anos vem lutando para incrementar ações no estado que consigam enfrentar o problema ocasionado pelo crack. A batalha do parlamentar contra a droga tomou novo fôlego depois que a polícia desvendou o caso da menina Fernanda Ellen, morta pelo vizinho que se diz usuário do crack e que apontou o consumo da droga como o principal motivo pelo crime.
A inquietação de Trocolli Júnior, no entanto, não fica apenas no discurso. O deputado quer e solicitou à Casa Epitácio Pessoa a realização de uma nova sessão especial para debater o tema onde ele pretende apontar ações que podem ser realizadas para combater o crack na Paraíba. A preocupação do deputado também vem do índice que revela que 2,6 dos jovens em idade escolar no estado já consumiram algum tipo de droga, sendo que 70% deles tiveram contato com o crack.
“Não é possível que as autoridades não tomem providências para combater o uso das drogas no nosso Estado. Nós estamos implorando que se abra, na Paraíba, um Centro de Referência Nacional para dependentes químicos. Aqui se gasta R$ 250 milhões com a construção do Centro de Convenções e R$ 130 milhões na Estação Ciência, mas não tem um Centro de Referência para cuidar de dependentes de drogas”, reivindicou Trocolli Júnior.
Os números do crack na Paraíba
De acordo com dados do Observatório do Crack, da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 141 municípios paraibanos enfrentam problemas relacionados ao consumo da droga. Na Região Metropolitana de João Pessoa, Cabedelo é a única cidade com alto nível de problema relacionado ao consumo de crack. O nível de dificuldade na capital, em Bayeux e em Santa Rita é médio. O Conde não respondeu a essa pergunta na pesquisa realizada.
Os dados mostram, ainda, que apenas 42,45% dos municípios paraibanos pesquisados realizam ações de enfrentamento ao crack. Somente em oito cidades existem Centros de Atenção Psicossocial, sendo que apenas seis são qualificados. Isso dentro de um universo de 190 municípios pesquisados na Paraíba.
Esses índices chamaram a atenção do deputado Trocolli Júnior que apelou para que parlamentares, governos estadual e municipais se unam nessa causa, levantada por ele, e procurem pensar em projetos de combate ao crack.
“Apelo aos prefeitos das maiores cidades e ao governo estadual que adotem medidas para lutar e recuperar os jovens que acabam se tornando dependentes desse mal chamado crack. Fontes oficiais nos revelam que 220 mil dependentes dessa droga praticam crimes por conta do vício. Por isso, quero realizar essa grande sessão especial para chamar os órgãos não governamentais e os governamentais para que possamos discutir soluções urgentes para esse problema”, afirmou o deputado.

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