Entediado pelo trabalho de seis meses Romero tira férias e viaja com a família para o Exterior.
Por Marcos Maivado Marinho
O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), que nesta sexta-feira (05) num ato de extremado desprendimento político passa o Governo para o vice Ronaldo Cunha Lima Filho, pretende nos quinze dias da licença acabar com pelo menos dois tédios que o infernizam ultimamente.
O primeiro é estancar as viagens pelo Brasil, rotina a que se deu desde o começo da administração a ponto de vir a ser repreendido pelo Tribunal de Contas do Estado por ter, somente em dois meses, gastado mais dinheiro em passagens do que o antecessor Veneziano em todo o ano de 2012.
O segundo, mais complicado por conta do coração fraterno e zeloso no amparo de amigos do peito incompetentes, é “implantar” mudanças na equipe, que está deixando muito a desejar, daí a sua profunda e visível ojeriza em gerir a coisa pública.
Desta vez, portanto, nada de viajar ao Rio Grande do Sul, São Paulo, Brasília ou Minas Gerais. Romero já viu e conhece todo o País. Não tem mais graça nenhuma. Por isso, o roteiro dessas férias milagrosas, diferentemente das de um trabalhador comum que só se vencem depois de 365 dias de labor, serão paradisíacas. Talvez conhecer todo o Velho Mundo, que em metade de um mês dá tempo de sobra. Ou um giro completo pelos Estados Unidos, onde existem cassinos legalizados e muita coisa bonita prá se ver. Talvez, quem sabe, por sugestão do senador-avalista do seu mandato suba até o tal de Cazaquistão (não seria Tarzaquistão…?) para conferir se aquela fábrica de helicópteros que o primo garantiu trazer para Campina ainda está em pauta.
Mas isto é segredo apenas do casal. Seus eleitores não merecem saber de privacidade assim, até mesmo para ninguém invejar, ficando com água na boca.
O argumento oficial da licença é possibilitar a que o vice Ronaldinho homenageie a memória do saudoso pai-poeta, criador do Parque do Povo, na data de encerramento dos festejos juninos de 2013, que por ‘coincidência’ planejada pelo rebento cai exatamente no dia em que o povo de Campina Grande há um ano o depositou na última morada.
Deixando de lado essa sorte impressionante do herdeiro de Ronaldo, que será prefeito de Campina Grande via atalho por quinze esticados dias, algo que nenhum dos antecessores teve o prazer, o que certamente contará na viagem de Romero ao exterior será o estudo que ele “aprofundadamente” diz que fará para, na volta, mexer na turma que lhe serve.
Aliás, esta mudança já era para ter sido implementada há meses. E APALAVRA alertou e até deu detalhes de como se daria a operação. Só que ela foi abortada em Brasília, depois de um encontro do prefeito com o senador Cássio, aquele que continua dando as principais ordens.
Mas, a conferir pelo que a imprensa fiel a Romero já sinaliza, ele está mesmo decidido a fazer alterações na equipe, o que acontecerá a partir de uma espécie de remanejamento – um freio de arrumação.
Assim que retornar do ‘tour” no exterior o prefeito espera por em prática as mudanças, que deverão começar pela CODECOM (Coordenadoria de Comunicação), onde o atual coordenador, o advogado José Araújo, não se sente confortável, até mesmo em se tratando do salário, algo em torno de R$ 2 mil, o que ele sempre considerou pouco atrativo para o tamanho das responsabilidades. “Na advocacia, tiro isso com uma única petição”, diz ele a amigos mais próximos.
Romero tem inclusive perdido a batalha da mídia. As críticas estão crescendo de forma rápida e até mesmo a imprensa da Capital já diminui o trabalho do prefeito campinense e não o vê, como antes, como aquele salvador da terra arrasada por Veneziano.
GREVES E DESORGANIZAÇÃO
Romero já enfrentou a greve dos professores da rede municipal, que se estende por quase 60 dias e chegou a irritar-se violentamente e de modo surpreendente com grevistas, inclusive pondo o dedo em riste nas narinas do sindicalista Sizenando Leal, reeditando o infeliz gesto do seu guru Ronaldo Cunha Lima no fatídico episódio do Clube Campestre, quando humilhou o então governador José Maranhão.
A área da Saúde já fez greve de advertência e as reclamações da população com a falta de médicos e de medicamentos em postos de saúde continua alarmante. O atendimento na UPA é péssimo e discricionário, e até na maternidade municipal (ISEA) as queixas se multiplicam.
O Fome Zero, gerido pela cunhada do gestor, é um problemão à parte. Nas cozinhas comunitárias e até no restaurante do Distrito dos Mecânicos faltam aliementos. E o principal restaurante, no shopping Edson Diniz, foi fechado e até agora a promessa de reabri-lo próximo à maternidade, virou conversa fiada.
Para completar o clima de baixo astral que se instalou na atual gestão, a aprovação do projeto de lei 084/2013, instituindo no Município a gestão pactuada com Organizações Sociais envolvendo todas as áreas da administração, provocou um desgaste sem precedentes no prefeito, que passou a idéia de não querer governar, optando pela terceirização dos serviços, numa nítida demonstração de apatia para com o trabalho público.
Acossado pela opinião pública, Romero sentiu o peso do estrago e mandou de volta à Câmara um projeto revogando 90% dessa lei, matéria que aguarda a boa vontade dos vereadores para votação.
Outros setores enfrentam vários problemas, como o trânsito, onde a STTP tem também perdido a guerra perante a opinião pública com profusão de multas e o anúncio intempestivo da implementação de obras de duvidoso alcance, como o do corredor central para ônibus na avenida Floriano Peixoto, provocando a derrubada de árvores com até 60 anos de vida, gerando imediata repulsa da população.
A MUDANÇA
Assim, as alterações na equipe teriam abrangência mais elástica. Além de José Araújo, que deixará a CODECOM, o remanejamento – ou freio de arrumação – alcançaria a STTP, a Agricultura, a Educação, a Articulação Política, Juventude, Esporte e Lazer, O Programa Fome Zero, e até mesmo a Ação Social.
“Os nervos do prefeito estão à flor da pele”, resumiu à época para A PALAVRA graduado assessor, configurando um clima realmente em descompasso com o que se imagina de Romero Rodrigues – um cidadão humilde e pacato, sóbrio e sereno, equilibrado e ponderado, nada a ver com aquele dedo em riste na cara de Sizenando, imitando o saudoso poeta Ronaldo Cunha Lima, gesto que acabou carimbando como “violento” o grupo a que ambos pertencem.
Dessa forma, embora intempestiva e desnecessária, a viagem de Romero e família para longe do Brasil pode render bons frutos para Campina Grande.
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