Ministra peituda
A ministra Tereza Campello, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), tem peito. Veio até aqui para dizer, debaixo das nossas fuças, que não existe fome na área da seca. Assim mesmo, debaixo das nossas fuças, olhando nos nossos olhos, sem piscar, sem gaguejar, toda atrevida.
Então não passamos de um bando de mentirosos, todos nós, jornalistas, religiosos, o Padre Djacir Brasileiro, o senador Cássio Cunha Lima, os deputados da caravana da hipocrisia, todo mundo e a mulher de Seu Raimundo.
A seca existe, reconhece a ministra, mas não tem fome graças aos programas sociais da presidente Dilma. Ela falou assim, com todas as letras.
Um agricultor lá de Monte Horebe recebe menos de 100 reais por mês para sustentar a família. É essa a ajuda do Bolsa Família de dona Dilma. Dinheiro de ruma, de tuia, capaz de matar a fome e fazer do agricultor um herói, viril herói do Nordeste, amansador de burro brabo e pegador de boi fujão.
Dona Tereza não sente calor. O gabinete dela é climatizado com material de primeira. Sua nobre bunda senta-se em amolfadada cadeira, toda fofinha, da cabeça aos pés. Tem ao seu dispor a moça que lhe traz o cafezinho, o rapaz que lhe faz os mandados, o motorista que a leva de ida e volta, as secretárias, os assessores, a casa paga pelo Governo e, como se isso não bastasse, o salário de ministra, além do cartão corporativo que lhe dá o direito de comprar fiado onde lhe der na telha sem se preocupar com saldo ou extrato. Ela deve estar pensando que todo mundo é igual a ela. Deve achar que o agricultor recebe uma ajuda do tamanho do adijutório a ela concedido todo final de mês. Só pode ser isso, porque se não for, então somos obrigados a achar que esse Governo de Dilma foi concebido para botar o nordestino na vala comum dos mortais e detona-lo para os quintos dos infernos, como Hitler fez com os judeus na segunda guerra mundial
Por Tião Lucena
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