terça-feira, 9 de abril de 2013

Moacir: ação do Governo para a seca é paliativa e Cagepa pactua com roubo d’água                   
Numa entrevista extremamente desastrada, sob o ponto de vista político, concedida na manhã desta terça-feira (08) aos jornalistas Carlos Souza e Luiz Alberto, na Correio FM (98.1), o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado (AESA), Moacir Rodrigues, desconstruiu todo o discurso do seu chefe, o governador Ricardo Coutinho, em relação à seca, e colocou a diretoria da Cagepa sob suspeita de pactuar com o crime do roubo de águas do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão).

Moacir: "Sou primo de Cássio, mas a famíla é grande e tem gente que nem conheço!"

Indagado sobre as providências do Governo do Estado para minimizar os efeitos da grave estiagem que assola a região, Moacir Rodrigues foi duro na resposta. Com a autoridade do cargo que exerce, não titubeou e disse que até agora tudo que foi feito não passa de “paliativo”.

Sem dispor de dados técnicos para embasar os argumentos, o presidente da AESA disse estar esperando um consubstanciado relatório técnico sobre a situação dos mananciais do Estado e avaliou que a reserva hídrica atual da Paraíba gira em torno de 30%. Mas garantiu que na região do vale do Piancó já não existe mais problema com a seca e no litoral a questão hídrica não preocupa, pois a AESA garante regular fornecimento do líquido por pelo menos mais 30 anos.

Depois de considerar ilegal a irrigação existente na bacia do Epitácio Pessoa, em Boqueirão e cidades do entorno, Moacir foi questionado sobre o roubo de água das adutoras do açude por grandes proprietários rurais da região, que a utilizam para irrigar suas plantações de frutas e verduras, e sem nenhum arrodeio botou a culpa na direção da Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba, a Cagepa, que faria “vistas grossas” para o fato excluindo-se até mesmo da sua obrigação de fiscalizar as tubulações. “A Cagepa tem, sim, a ver com a irrigação ilegal”, garantiu.

Passado um dos intervalos comerciais do noticioso coube ao vigilante assessor de imprensa da Cagepa em Campina Grande, Ricardo Avelino, correr por telefone em socorro da empresa, na tentativa de amenizar o poder explosivo das declarações do presidente da AESA. Segundo Avelino, a companhia tem adotado todas as providências que o caso requer, não se furtando a nada, Inclusive com uma fiscalização eficiente que já responsabilizou vários proprietários. “Nós contamos inclusive co m a ajuda da polícia florestal”, reforçou.

Ricardo Avelino ainda garantiu que a Cagepa já fez batimetria de todo o açude Epitácio Pessoa e que, embora não tenha conhecimento de que algum dos proprietários denunciados tenha sido punido pela justiça, reiterou que o trabalho de fiscalização feito pela Cagepa é rotineiro e eficaz.

IRRIGAÇÃO COM ESGOTO
Provocado por pergunta de um ouvinte de Queimadas sobre a origem da água com que irrigava suas grandes plantações de pinha ao longo dos canos da adutora de Boqueirão, entre Caturité e Queimadas, Moacir Rodrigues, que anos atrás teria entrada no rol dos suspeitos dos “gatos” na região, acabou confessando um crime ambiental inominável ao revelar que utilizava-se dos esgotos de Campina Grande, na localidade que identificou como “Cachoeirinha”.:

Para diminuir o impacto do que acabara de dizer, Moacir destacou as suas qualidades de homem do campo, um “matuto que conhece tudo na região”, e ainda fez ironia sobre o valor da água dos rejeitos campinenses que utilizava no plantio em suas terras. “Minhas pinhas e minhas goiabas eram bem docinhas”, atestou para em seguida lembrar que antes a água fétida recebia tratamento.

APOIO A ENIVALDO RIBEIRO
Na parte política da entrevista Moacir foi ainda mais intempestivo e chegou de maneira oblíqua a confirmar o que o blogueiro Dércio Alcântara, dias atrás, publicou na internet dando conta do seu afastamento do primo-senador Cássio, fiador da vitória do irmão Romero para a prefeitura de Campina Grande.

“Não existe nada disso”, começou a negar, mas estendeu-se em conjecturas que acabaram por confirmar o fosso na família. “Sou primo de Cássio, mas a família é muito grande. Tem Ivandro… E tem muita gente que eu nem conheço. Mas eu só espero que as pessoas respeitem os candidatos. Porque todo mundo tem o direito de se candidatar”, avisou em recado explícito a Cássio, que já anunciou a provável candidatura do filho Pedro à Câmara Federal, mesma postulação de Moacir Rodrigues.

Outro recado foi o de que iria imitar o mano prefeito. “Sou como Romero e não quero briga com ninguém. Eu me dou com todo mundo”.
Moacir garantiu que vai deixar o PSDB e surpreendeu ao revelar que o seu futuro partido será da base de apoio da presidente Dilma, a quem o PSDB faz oposição. “Hoje eu voto em Ricardo Coutinho e em Dilma e vou me filiar a um partido da base dela. Pode ser o PC do B e pode ser o PP”, informou.

Ao final, depois de rasgados elogios a Enivaldo Ribeiro, presidente estadual do PP a quem considera-se parceiro, e ao filho deste, o ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro, Moacir Rodrigues praticamente avisou ter selado o seu destino político. “O que Aguinaldo vai trazer para Campina vai deixar o povo de queixo caído”, sustentou como que em aviso de que a decisão é de 'prego batido e de ponta virada'.

Fonte: \Apalavra


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