Brasileiros em Portugal exaltam bolsa de estudo, mas reclamam da adaptação
Estudantes contemplados com bolsas de estudo do programa Ciência sem Fronteira em Portugal afirmam ser privilegiados, mas sentem falta de comida brasileira e reclamam do frio
“Vir para cá é um privilégio. Por isso, o mais importante é o comprometimento. É o que eu quero levar de volta”, diz Gabriel dos Passos Gomes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e bolsista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
De acordo com o estudante, há alunos matriculados em poucas disciplinas e com muitas faltas. “Outras pessoas queriam vir e poderiam estar fazendo melhor”, disse ao lembrar que a seleção para uma bolsa em Portugal foi uma das mais concorridas do programa.
Estudante da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e também bolsista na Universidade de Lisboa, Maiara Sakamoto Lopes endossa a crítica. “Quando o [ministro da Educação Aloizio] Mercadante anunciou o programa, disse que as pessoas vinham para aprender e conhecer novas tecnologias. Mas há pessoas gastando o dinheiro do programa sem cursar as disciplinas”, critica. “Ainda vão voltar para o Brasil e reclamar que o país não se desenvolve.”
Para a presidenta da Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra (Apeb-Coimbra), Viviane Carrico, é possível se divertir sem prejudicar o desempenho acadêmico. “Estudantes que vêm com um propósito tem que se organizar. O dia tem 24 horas e ninguém precisa ir a todas as festas”, aconselha.
O pagamento de bolsas está sujeito à fiscalização administrativa das agências pagadoras, assim como da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Adaptação
Os estudantes brasileiros que conseguiram uma bolsa para cursar parte da graduação em Portugal, por meio do Programa Ciência sem Fronteira, começaram a chegar ao país em setembro, pouco antes do início do outono no Hemisfério Norte e da queda da temperatura na região. Atualmente, os termômetros em Lisboa têm marcado em torno de 10 graus Celsius (ºC).
A temperatura deverá cair ainda mais nos próximos dois meses com a chegada do inverno. “É um vento gelado e o sol não esquenta”, descreve Aline Pacheco Albuquerque, que estuda química industrial na Universidade Estadual da Paraíba (Campina Grande) e é bolsista na Universidade de Lisboa.
O frio também incomoda Jéssika Hirata, que cursa engenharia civil na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e se prepara para o inverno em Coimbra. “Já sinto saudade de temperaturas mais altas, mas não daquele calor de Cuiabá”, diz. A maior preocupação da estudante, no entanto, não é a mudança de clima, mas de alimentação. “A comida é muito diferente.”
Aline Pacheco Albuquerque, aluna da Universidade Estadual da Paraíba, sente falta da carne bovina. “Aqui eles comem mais peixe e carne de porco”, descreve. O Brasil é o maior produtor e exportador de carne do mundo, enquanto Portugal tem o bacalhau como um dos símbolos da sua gastronomia.
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