Elizabeth Marinheiro rompe com Elba Ramalho e a chama de arrogante, prepotente e aética
A escritora campinense Elisabeth Marinheiro, uma das personalidades mais vibrantes da intelectualidade brasileira, honra e glória da Academia paraibana, pelo talento, pelo estudo e pela militância nas lides literárias, e até o último dia 28 de outubro deste ano de 2012 tida e havida como a melhor das amigas e confidentes da cantora Elba Ramalho, acaba de classificá-la como arrogante, prepotente e desprovida de ética.
Betinha, como assim é carinhosamente identificada em toda a Paraíba, pede para Elba “descer do alazão, pois ele pode estar sujo...”. E diz que “é aconselhável trocar arrogância e prepotência por humildade desde que legítima... É salutar substituir o farisaísmo por uma espiritualidade que não seja de aparência...”.
Autora de vários livros de crítica, a percuciência na investigação e na análise constituem instrumento basilar do trânsito de Elisabeth Marinheiro pelos caminhos das literaturas nacional e estrangeira. Foi ela quem criou em Campina Grande a Fundação Artístico Cultural Manuel Bandeira (FACMA), berço da atividade artístico-teatral de Elba Ramalho.
E foi por causa da desfaçatez de Elba para com a FACMA que Elisabeth decidiu pelo rompimento da amizade, algo que certamente se dará para o resto da vida tendo em vista a personalidade austera e forte da ilustre professora campinense.
Elba viria gravar um depoimento com o pessoal da FACMA na sexta-feira dia 19/outubro para exibição no programa de Fátima Bernardes, da TV Globo, e para isso a fundação, segundo narra Betinha, “se engalanou”. Elba não foi e Elisabeth pergunta: “Ôxente! Por que não nos telefonaram?... Por que Elba não telefonou para a FACMA? Contradição ou desconsideração? Que nada! Autêntica falta de Ética”.
A dureza das palavras de Betinha Marinheiro está no seu artigo semanal no “Jornal da Paraíba” (TESSITURAS), que o Boiga do Tião reproduz juntamente com o portal A PALAVRA de Marcos Maivado Marinho:
Tessituras(PUBLICADO EM 28/10/2012 ÀS 08:00H-POR ELIZABETH MARINHEIRO)
Nossas crônicas não se ocupam do insignificante. Entretanto, às vezes, cabe ao jornalista explicações aos seus leitores.
Dirigimos a FACMA durante treze anos, mas, atualmente, não pertencemos a sua Diretoria, nem interferimos nela. Jamais. Não deixaremos de amá-la e ajudá-la dentro de nossas limitações.
Ninguém faz ninguém é um dito respeitável. Seria falsa modéstia evitar nossa atuação como formadora de gerações. Os acervos históricos presentificam-se numa demonstração de que nossa gestão objetivou arte através da educação. Não fabricamos astros nem estrelas... Revelamos inúmeros talentos, despertando-lhes a paixão pela Literatura.
Do Colégio Estadual da Prata, percorrendo quase todo o Brasil, a FACMA atravessou o oceano e encantou a Península Ibérica, recebida com honras diplomáticas e patrocínio literal do Governo português.
Acrescente-se o apoio do inesquecível primo Petrônio Figueiredo e do Embaixador João Cabral de Melo Neto, nosso amigo pessoal. Saudosa memória!
Quando encerramos nossa gestão, deixamos a Quarentona com oito grupos artísticos: quatro Corais Falados, o Grupo Cênico Manuel Bandeira, o MBC/Conjunto, o FACMADRIGAL e o FACMABALÉ. Entre os Grupos não havia maiores nem menores. Cada um, cada uma com brilho e estilo próprios.
Ocorre que poucos segmentos fizeram carreira artística e alguns tornaram-se “celebridades”; outros, dedicaram-se ao alto Magistério; vários são Escritores(as) e muitos(as) constituíram lares sólidos. Lindas famílias.
Não nos compete cobrar nada daqueles(as) que foram iniciados(as) – numa espécie de Estética avant lalettre – via nosso Idealismo construtor. Não.
Nosso prazer era dividir, com aquela juventude, textos de Bandeira, Jackson Agra, Vital Santos, Braulio Tavares, Bernanos, Drummond, A. Gonzaga, Jorge de Lima, João Cabral, Ariano, Clóvis de Melo, Camões, Poe, Brecht, José Américo, Cecília, Maiakovski, Dante etc. etc. etc. Daí, a consagração recebida pela FACMA na Academia Brasileira de Letras (cf. Tessituras do Eu versus Fortuna Crítica II).
Nossa escrita, agora, dá um salto e passa ao “mistério”... Transitamos entre Péricles (Amigo da Onça) e Shakespeare (Megera Domada). O “causo” virou piada.
É que recebemos um telefonema de Elba Nunes Ramalho pedindo-nos um depoimento e fotos para um programa de TV. Solicitação redundante porque já o fizemos diversas vezes. Mas, atendemos. Em seguida, uma moçoila cuidou do roteiro (Natalie, salvo equívoco) marcando para a sexta-feira (dia 19 p/p), às 17h, na FACMA. Tudo confirmado na quinta-feira à noite pela própria moçoila.
Engalana-se a FACMA sob o comando das Dras. Rosana Pinto e Socorro Asfóra e das professoras Mercês Pinheiro e Dolores. Apoio de Estelita Cardoso, Lau Aguiar e do Maestro Alexandre. Mesa posta. Hino. Tapete vermelho. Parecia até que iriam receber Eduardo Portella ou Maria Bethânia ou Nélida Piñon ou Daniela Mercury. Céus!
De repente surge a equipe, com a moçoila informando: “Elba não veio porque está cansadinha. Mas quero seu depoimento e álbuns”. Ousadia? Do premeditado?
Respondemos-lhe um não radical. A moçoila desapareceu e a FACMA fez maravilhosa festa.
Com a censura geral da cidade (verdadeiros protestos contra a atitude de “Elbinha”), um rapaz de nome Hélio Melo (não nos lembramos dele), talvez, haja nos telefonado para dizer que “você estava sendo esperada no Teatro Municipal”.
Ôxente! Por que não nos telefonaram?... Por que Elba não telefonou para a FACMA? Contradição ou desconsideração? Que nada! Autêntica falta de Ética.
É bom descer do alazão pois ele pode estar sujo... É aconselhável trocar arrogância e prepotência por humildade desde que legítima... É salutar substituir o farisaísmo por uma espiritualidade que não seja apenas de aparência... Cuidado, gente, Sísifo está solto pelaí...
De resto, Mnemosine – mãe das nove Musas – nos diz:
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples. MANUEL BANDEIRA.
MENSAGEM. Quem não enxergar as duas faces de Janos, poderá findar em Ionesco. Ao meu leitor os “belos” de Bandeira.
Blog do Tião Lucena
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