“De acordo com o documento, cerca de R$ 22 mil foram gastos em artigos de
cama, banho, decoração, móveis e acessórios para quarto de bebê. E tudo sem
licitação, com grifes e fornecedores previamente definidos, em tese, por Dona
Pâmela Bório Coutinho”, diz o jornalista.
Rubens Nóbrega diz que “no total, pelas contas do colunista, passam dos R$
3 milhões e 200 mil os pagamentos feitos pela CCG em 2011 de forma irregular, de
acordo com as cifras e dados levantados pela auditoria”.
Roupas de bebê – O relatório aponta até mesmo gastos com enxoval de
bebê, na empresa Essencialli Enxovais, onde foi pago com dinheiro público R$
7.317,00 referentes a artigos para “o quarto do bebê, quarto do casal e
banheiro”. Também há referências a compras em lojas como a San Marino Ltda. (San
Remo Baby).
Dentre os artigos comprados com dinheiro público estão, de acordo com o
relatório do TCE-PB: kits de higiene, lençóis de berço e xixi, conjunto de
bolsas e outros.
Veja, na íntegra, a publicação da coluna de Rubens Nóbrega, no Jornal da
Paraíba, edição desta terça-feira, dia 04 de dezembro:
AUDITORIA DO TCE LEVANTA GASTOS ESCANDALOSOS NA GRANJA
SANTANA
No ano de 2011, o dinheiro do Estado foi prodigiosamente usado para
comprar do papel higiênico da marca supostamente preferida pela primeira-dama a
lençóis de berço e xixi e móveis para quarto de bebê. As informações constam de
relatório de auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) na Casa
Civil do Governador, responsável pela manutenção da Granja Santana e Palácio da
Redenção.
De acordo com o documento, cerca de R$ 22 mil foram gastos em artigos
de cama, banho, decoração, móveis e acessórios para quarto de bebê. E tudo sem
licitação, com grifes e fornecedores previamente definidos, em tese, por Dona
Pâmela Bório Coutinho. O detalhe é que esse é apenas um detalhe entre dezenas de
outros nas contas da Casa Civil do Governador para os quais a auditoria do TCE
não encontrou explicações, muito menos amparo legal. No total, pelas contas do
colunista, passam dos R$ 3 milhões e 200 mil os pagamentos feitos pela CCG em
2011 de forma irregular, de acordo com as cifras e dados levantados pela
auditoria.
Mas deve ter sido particularmente em razão das despesas efetuadas
diretamente pela primeira-dama que absurdamente tentaram impor sigilo ao
resultado da auditoria, como se fosse possível e admissível manter em segredo
pretensos usos e abusos do dinheiro público em favor do interesse privado, ainda
que em fase de instrução processual junto a um órgão de controle e fi
scalização. Afi nal, pelo que está no documento do TCE, foi do erário que
retiraram o numerário para bancar objetos do consumo absolutamente pessoal e
intransferível, íntimo e doméstico, do primeiro casal.
O QUE DIZ O RELATÓRIO
Transcrevo a seguir trechos do relatório sobre gastos feitos pela
primeira-dama para a residência ofi cial. Segundo a auditoria, nessas compras
não apenas violaram a Lei das Licitações como, sobretudo, os princípios da
legalidade, da impessoalidade e da moralidade impostos à Administração Pública
pela Constituição da República.
***
Foram adquiridos artigos de decoração de banheiro e uso pessoal, junto
a Onda Comércio e Representações Ltda., no montante de R$ 7.467,30. Dentre eles
estão sabonete líquido (R$ 263,90), sais de banho (R$ 144,80), espuma de banho
(R$ 222,90), papel higiênico noivinhos (R$ 59,80) etc., transparecendo, sem
dúvida, como critério de escolha, o gosto pessoal e não a impessoalidade exigida
na ação administrativa pública. Robustece a afi rmação o fato dos orçamentos
apresentados pelas três empresas pesquisadas terem sido solicitados pela
primeira dama do Estado, Sra. Pâmela Bório (Documento Eletrônico no
21401/12).
Nas aquisições realizadas junto a Essencialli Enxovais Ltda., no valor
de R$ 7.317,00, os artigos escolhidos foram para o quarto do bebê, quarto do
casal e banheiro. A pesquisa de preços juntada ao processo de execução da
despesa inclui orçamentos de R. Gonçalves & Cia Ltda. (Lojão SOFAGRIL) e
Kaline Dantas Pedrosa Gonçalves (SOFAGRIL Praia). Além de essas duas empresas
comporem o mesmo grupo empresarial e não fornecerem tais produtos, conforme será
ainda comentado no item 10.4, todos os itens pesquisados estavam com as marcas
previamente definidas (Trussardi, Buddemeyer, Artelassê, Morgam's e Marken
Fassi), inclusive um deles era um “Jogo de Lençol bordado Essencialli”, ou seja,
artigo produzido pelo próprio fornecedor no qual a compra foi concretizada
(Documento Eletrônico nº 21402/12).
O uso, no mesmo processo, de orçamentos solicitados a empresas do mesmo
grupo, em especial do Grupo SOFAGRIL, foi prática corriqueira, na gestão da CCG.
Também nas compras realizadas na Casa Chang, no valor de R$ 1.386,70,
correspondente a artigos de decoração, volte-se a afirmar, para a Residência
Oficial do Governador, as firmas pesquisadas foram Kaline Dantas Pedrosa
Gonçalves (SOFAGRIL Praia) e R. Gonçalves & Cia Ltda. (Lojão SOFAGRIL),
conforme Documento Eletrônico nº 21399/12.
A Casa Civil também efetuou despesa com a compra de acessórios para
quarto de bebê na Lojas San Marino Ltda. (San Remo Baby) no valor de R$
2.404,73. Foram adquiridos kits de higiene (R$ 197,90), lençóis de berço e xixi
(R$ 200,70), conjunto de bolsas (R$ 477,90) etc. (Documento Eletrônico no
21403/12). Na pesquisa de preços juntada aos autos, constatou-se que os três
orçamentos apresentados são da mesma empresa, apesar dos CNPJ serem
diferentes.
Tal fato é facilmente constatado no site www.sanremobaby.net, no qual
os endereços das lojas são os mesmos das empresas pesquisadas. Outro detalhe a
ser informado é que o transportador da mercadoria, registrado na Nota Fiscal foi
a Sra. Pâmela Coutinho, esposa do Governador.
Acrescente-se que na mesma pesquisa foram incluídos materiais
permanentes (móveis e acessórios para quarto de bebê), no montante de R$
3.347,04, da mesma forma, transportados pela Sra. Pâmela Coutinho (Documento
Eletrônico no 21404/12).
GOVERNO NÃO SE PRONUNCIA
Por volta de 9h da manhã de ontem avisei pelo Twitter ao governador
Ricardo Coutinho (@realrcoutinho) que enviaria por i-meio pedido de
esclarecimentos à Casa Civil. Imediatamente após, passei via i-meio os trechos
do relatório de auditoria reproduzidos acima. Mais uma vez, ele deu calado como
resposta. Também pedi à CCG (@casacivilgovpb) um endereço para correspondência
eletrônica, mas a resposta somente me chegou no fi nal da tarde dessa segunda,
quando já ultimava esta coluna.
Na coluna de amanhã trarei novos trechos do já famoso relatório.
Revelam outros gastos impressionantes do Estado sob Ricardo Coutinho, esses para
alimentar os moradores da Granja Santana e outros comensais no Palácio da
Redenção.
Do Blog, com Jornal da
Paraíba
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